Ahhhh muleque! Ops... site errado. Bom, com orgulho (e falta de ter oque fazer) lhes apresento o segundo episódio do Wecast. Nosso podcast semanal de variedades, cultura e paixões nerds. Nesse episodio discutimos as diferenças entre o cinema feito como uma forma de arte e o cinema feito para ganhar dinheiro. Nesse episodio temos a participação especial de Renato Barzon, um especialista em cinema.
Podcasters desse episódio: Arcano 9, Arauto, Itaú, Lichy, Barroxo e Renato Barzon
Para o próximo programa contamos com críticas, sugestões e esculhambações. Para isso larga mão de ser um nerd preguiçoso e escreva para a gente!
Lambda! Lambda! Lambda! Ops... podcast errado. Bom, com orgulho (e falta de vergonha na cara) lhes apresento o primeiro episódio do Wecast. Nosso podcast semanal de variedades, cultura e paixões nerds. Nesse primeiro episodio discutimos as qualidades e fraquezas dos RPGs de Mesa e dos MMOs RPG. E no final tentamos chegar a conclusão de qual é melhor ou pior.
Podcasters desse episódio: Arcano 9, Arauto, Itaú, Rafael Lichy e Barroxo
Para o próximo programa contamos com críticas, sugestões e esculhambações. Para isso larga mão de ser um nerd preguiçoso e escreva para a gente!
Beatriz folheava as páginas daquele estranho livro sem entender porque ele queria que ela lesse sobre aqueles estranhos. Skiter? Belioxhis? O que eles tinham a ver com sua atual situação? Porquê o livro simplesmente não lhe mostrava onde estava Daniel. Talvez aquilo tudo fosse um truque. Com essa dúvida na cabeça ela fechou a pesada relíquia, encarou a face metálica do mesmo e perguntou:
-- Ok! Li até agora o que você me mostrou, mas apesar da ligação aparente dessas duas histórias entre si, elas nada tem haver comigo! Me dê uma explicação ou eu paro a leitura por aqui mesmo – disse Beatriz demonstrando todo seu descontentamento.
-- Você não é primeira pessoa que conheço que começa a ler um livro e desiste da leitura antes de entender o propósito do autor. O engraçado, é eu e não escrevo essas histórias, elas apenas aparecem em minhas páginas. Eu mesmo não tenho nenhum outro propósito além de continuar tendo essas histórias em mim. Fico fascinado em conhecer todas elas.
-- Você se lê?
-- Isso seria ridículo não? Eu apenas sei tudo que é escrito em mim. Sei a verdade sobre tudo que já aconteceu em nosso universo, por isso me chamo Livro da Verdade.
-- Mas você não me explicou porque está me mostrando a história desses desconhecidos.
-- Você pensa que são desconhecidos! Eles são responsáveis por você estar nesse lugar.
-- Mas como?
-- Ah! A boa e velha curiosidade. Agora que tenho novamente sua atenção, gostaria que voltasse a ler as páginas que vou lhe indicar. A história é longa, mas creio que confinada nesse lugar você não tenha nenhuma opção melhor. Sou sua única janela para o mundo exterior.
-- Tá. Você me convenceu. Por mais que me deprima ser persuadida por um objeto que nem deveria ter consciência, eu vou me sujeitar a isso. Mas como você pode me garantir que essas histórias realmente aconteceram?
-- Adoro quando me testam! – disse o livro com os olhos vidrados e com um enorme sorriso em seu rosto. –Pode me abrir de forma aleatória que eu vou lhe provar.
Beatriz o fez e quando começou a ler a linhas da nova página reconheceu a narrativa como sendo sua própria história. Com detalhes que ela havia apenas pensado. Era uma tortura muito grande olhar no espelho dessa forma e ela fechou o livro novamente.
-- Acredita em mim agora? Se quiser te mostro outros capítulos desse tipo...
-- Não! Não quero ler sobre mim. Pode mostrar qualquer coisa. Só não mostre fatos relacionados a minha vida.
-- Ótimo! Até que foi rápido convencê-la. Sendo assim acredito que é hora de mostrar uma pequena história de grande relevância em seu futuro.
-- Só um minuto! – interrompeu Beatriz terminando de enxugar suas lágrimas. – Como você sabe que um evento pode ter influência ou não no futuro de alguém?
-- Digamos que quem domina o passado tem a capacidade de premeditar alguns acontecimentos. Por exemplo, no momento que conversamos um entai que você não conhece está fazendo algo grandioso que pode influenciar positivamente em seu futuro. Só que se eu simplesmente falar o que ele está fazendo agora essa será uma narrativa deslocada. Então eu vou te contar uma pequena história que o apresentara a você.
-- Eu não ligaria se você fosse direto ao assunto!
-- A minha jovem! Assim minha narrativa não teria a menor graça. Não se esqueça que eu sou um livro que contem as histórias de todas as almas do universo. Só que mais do que um simples registro sem graça eu sou escrito com emoção e aventura!
-- Isso quer dizer que não importa o que eu faça você vai continuar contando a história do jeito que você acha vai ficar mais elegante?
-- É isso ai! Finalmente você me entendeu.
-- Tudo bem. Me mostre a próxima história então.
-- Ok! Vamos lá!
FILHOS DA CORRUPÇÃO
Parte 6 - A primeira vista
Tomael estava sentando no banco da pequena praça repensando os últimos minutos pelos quais havia passado. Há exatos dez minutos atrás ele tinha uma namorada, agora ele era só um solteiro entristecido. Uma série de eventos alheios a sua vontade tinham implicado no fim. Se Tomael fosse o culpado pelo evento ele teria cometido o crime de ter sido ele mesmo. E não estou falando de seu “Eu” entai e sim de seu “Eu” mundano. Que o fazia sempre de encontro a uma decepção amorosa. Ter se tornado um entai não tinha feito sua vida mudar significativamente. Ele continuava sendo um medico recém formado, que fazia residência em um renomado hospital da capital paulista. Sua rotina de trabalho não lhe impedia de se apaixonar e investir todas suas forças em um novo relacionamento. Guerras entre entais? Seitas? Artefatos? Nada disso importava para Tomael. Tudo que ele queria era encontrar sua alma gêmea.
Ele olhava o cartão em sua mão e a pequena vaca de pelúcia que estava sentada ao seu lado no banco de concreto. A cabeça da vaquinha estava inclinada para o lado e seus olhinhos pretos meio que perguntavam “E agora?”.
Até agora talvez você deva estar pensando que Tomael é um corrompido da tristeza não é mesmo? Poderia até ser se ele não transformasse os sentimentos ruins em coragem para continuar em busca do amor. Mais do que tudo ele acreditava na união das almas pelo amor. Sabia que todos os problemas do mundo se resolveriam se a as pessoas simplesmente se amassem. Infelizmente elas preferiam se odiar.
Tomael respirou fundo. Olhou para o cartão. Pensou em rasgá-lo, mas preferiu colocá-lo em seu bolso. Ele iria para sua caixinha de lembranças de amores que não deram certo. Mais do que uma coleção ou memorial do fracasso aquela caixinha era uma forma dele se lembrar que ao menos havia tentado.
Ele pegou a vaquinha. Colocou em seu colo. Olhou a cara sorridente do bichinho de pelúcia e perguntou ao mesmo:
-- Será que eu consigo encontrar minha alma gêmea antes de passar o resto da eternidade em Zênite?
-- Talvez – respondeu uma bela moça de cabelos pretos e longos enquanto colocava a mão no ombro de Tomael. Ela usava uma roupa social, com direito a meia calça e salto alto. Maquiagem discreta e unhas impecavelmente bem feitas. Tudo nela parecia mostrar sobriedade.
Tomael a encarou e no mesmo instante sua decepção amorosa recente já era passado. Ele estava apaixonado novamente. Ele olhou boquiaberto para ela e conseguiu pronunciar apenas “Maracanã!”. Tomael tinha o habito de falar palavras desconexas quando ficava muito espantado ou eufórico.
-- Na verdade eu pretendo te levar para o Pacaembu meu querido – disse a estranha moça se sentando ao lado de Tomael.
-- Ahhh como assim? Quem é você? – disse Tomael apertando a vaquinha como se fosse uma menininha de dois anos.
-- Olha. Por muito tempo eu tenho te observado e creio que agora seja a hora de você tomar um lado na Guerra.
-- Ao seu lado?
-- Ah sim. Espero que seja essa sua escolha. Meu nome é Dra. Sulivan. Costumava trabalhar como psiquiatra, mas agora dedico meu tempo a seita Ankala. Conhece?
-- Não faço idéia. Mas poupando seu trabalho aceito entrar em sua seita se isso significa ficar ao seu lado.
-- Que ótimo – disse Sulivan sem demonstrar nenhuma emoção enquanto pensava como era fácil convencer um virtuoso do amor de coração recém partido. Para isso ela só precisou garantir que a ex-namorada de Tomael o larga-se. Não foi difícil. Só precisou fingir ser uma ex namorada dele e dizer que estava esperando um filho dele. Mais novelesco impossível pensava ela. Nessas horas ela agradecia por não ter nenhuma emoção e agir baseada apenas em sua impecável razão.
--Vamos agora? – perguntou Tomael se levantando.
-- Sim Tomael. Minha seita ficará muito feliz em ter você trabalhando com a gente. Um grande futuro o espera sabia?
Assim ambos deixaram a melancólica pracinha que tantos términos de namoro já havia sido palco. Mas amor a primeira vista dessa forma, era a primeira vez!
No meu ultimo dia do ano resolvi visitar a cidade de Serra Negra-SP. Gostei bastante do arque municipal e do comercio local. Mas principalmente adorei andar de teleférico! ^^
Alheio a sonhos. Alheio a acontecimentos marcados pela passagem do tempo estava um corrompido, do esquecimento, sentado em um a pedra. Sob sua cabeça um céu púrpura de nuvens negras trovejantes e dois olhos do tamanho de sois, um negro que espalhava trevas para todo lugar que focalizava sua visão e outro branco que espalhava a luz.
Abaixo da pedra um chão árido e frio que já presenciará inúmeras batalhas pelo destino do universo. Por esse mesmo chão um anjo asiático com tribais azuis pelo corpo caminhava em direção ao corrompido em cima da pedra. Esse “anjo” era um virtuoso da paz conhecido apenas como Krayamon. Em sua mão direita ele carregava uma foice com um sino preso na ponta por uma cordinha. Ele conseguia andar sem que o sino tocasse.
-- A hora está chegando – disse Krayamon para o corrompido que indiferente o contemplava de cima da pedra. – Você nem deve lembrar-se de nossa última conversa a três dias atrás não é?
-- Me lembro sim – disse o corrompido sem expressão alguma em seu rosto. Certamente porque rosto era uma coisa que corrompidos do esquecimento não possuíam desde o momento em que se tornavam entais.
-- Isso é bom. Mas como conseguiu guardar a memória? A entalhou com uma faca em seu corpo?
-- Não. Apenas estou há três dias sem dormir.
-- Gosto de ver um corrompido lutando contra sua natureza.
-- Não é isso, apenas não dormi para te poupar o trabalho de me explicar novamente tudo que queria. Claro que depois que eu dormir vou esquecer tudo isso. Tudo não passará de uma grande bobagem como a existência em si. Mas nós somos Legião e simplesmente nós não nos importamos muito.
-- Eu ainda irei entender por que você se refere a sim mesmo no plural. Bom, entalhe o nome do corrompido que deve encontrar e fazer esquecer a própria existência.
-- Você está com o colar?
-- Estou sim. Não foi fácil consegui-lo para você – disse Kraymon tirando um pequeno elefante feito de esmeralda preso em um barbante. Um colar aparentemente medíocre que emitia um brilho fascinante.
-- Com esse colar não precisarei entalhar mais nenhuma memória em meu corpo. Apenas me de e nós completaremos a missão que nós pede.
-- Por via das duvidas gostaria que estalha-se a missão mesmo assim.
-- Tudo bem – disse Legião tirando uma faca de osso da cintura e entalhando em seu braço a inscrição: apagar... – Qual o nome de minha vítima?
-- O nome de sua vítima é Drexler.
-- Considere feito – disse o corrompido entalhando Drexler em seu braço. – Considere a missão dada como cumprida.
-- Aqui está o seu colar. E lembre-se que essa missão é extremamente perigosa e difícil. Boa sorte em sua busca. – disse Krayamon após entregar o colar. Ele abriu suas asas e foi embora voando baixo. Era o começo de mais um dia 56hs e ele queria aproveitá-lo para encontrar outros que pudesse mandar atrás de Drexler. Sabia que Legião tinha uma ínfima chance de ser bem sucedido, mas era uma aposta valida e ele tinha que arriscar essa possibilidade pelo bem de todos os seres viventes do universo.
Legião, desconhecendo o tamanho da encrenca em que se encontrava fez a coisa mais sensata que alguém pode fazer quando está procurando alguém em um lugar muito grande: ele se sentou em cima de sua pedra que ficava em um lugar bem visível e esperou que Drexler viesse até ele. Poderia levar dias, meses, anos ou séculos. Mas agora ele tinha o colar esmeralda. Legião tinha todo o tempo e memória que precisava.